Sobre o canto do Kanário

Vejo uma confusão do ponto de vista estrutural no texto do meu amigo Marcelo Cerqueira.

Até concordo com as análises em relação ao mandato e da responsabilidade que o verador Kanário deveria assumir em alguns debates, mas discordo das várias justificativas para desqualificar a pessoa.

Acho que o momento não pede uma análise do mandato de Kanário, isso pode ser feito no âmbito da câmara e com seus eleitores. A massa que foi espancada na pipoca de Kanário é um público que NINGUÉM (ou pouquíssimas pessoas) estabelece algum diálogo e, mal ou bem, Kanário estabelece alguma conexão, independente da qualidade e intensidade com que esta relação se estabelece.

O que ficou posto é que o Coronel Anselmo pisou na bola, colocou todo o racismo institucional da PM para fora para defender o indefensável – a violência “gratuita” (da opressão dos pretos de periferia e defesa do capital) da PM.

E se fossem brancos? Por que não chamaram de marginal os vereadores Hilton Coelho e Carvalhal, quando trocaram socos na Câmara em 2016, na votação do Plano Municipal de Educação? Ninguém falou em quebra de decoro, muito menos os chamaram de marginais.

Não quero nem vou defender Kanário, mas a pipoca dele deve ou deveria ser nossa, ou então vamos ter que abrir mão de vários discursos e dialogar apenas com a universidade. Eu defendo sim a pipoca de Kanário, ela se parece comigo.

Por: Ricardo Andrade

Kanário só canta quando ele tá blindado pela maloca, mas na Câmara é um deserto de silêncio